Vamos brincar de Índio?

Difícil alguém levar a sério um post que começa com uma citação da XUXA, né? Sim… Citei mesmo a “Rainha dos Baixinhos”, aquela que dizem ter pacto com o próprio demo e que aceitou R$ 2 milhões pra mudar a cor de cabelo (até eu que sou mais bobo aceitaria, na moral).
Mas, por favor. Não julguem!
Semana passada, as redes sociais e meios mais verdadeiros da mídia nacional fizeram uma ampla campanha de apoio à manifestação dos índios da tribo Guarani Caiová. Para quem não sabe, este grupo indígena, sofre (e SOFRE em CAPS LOCK) há muito tempo. Suas terras foram loteadas e distribuídas faz anos com a mesa velocidade e ferocidade que as pessoas comem aquele bolo do aniversário de São Paulo, sabe? Sem perspectiva de vida, de melhoria de situação e de luz no fim do túnel, esses índios apresentam taxas de suicídio e alcoolismo altíssimas em sua sociedade. Comparadas à sociedade “”””normal”””” (e bota aspas nisso), são porcentagens alarmantes.
Porém, até a semana passada – e infelizmente até agora – pouco foi feito. O apelo dos chefes da tribo e a conclusão mórbida, porém real, de que eles mesmos estão assinando seu atesado de extinção chocou. Mas precisa chocar ainda mais.
Por isso que eu lanço a reflexão. “Vamos brincar de Índio”.
CALMA! Não falo pra gente desenterrar nossos LPs antigos da chata da Xuxa, mãe da Sasha (#travalíngua). Nem de começarmos a andar pelados, caçar comida e se pintar inteiro de URUCUM  (por mais LEGAL que seja isso, confesso). Estou falando, sim, de analisarmos – ainda que superficialmente – a condição indígena no nosso Brasil. Ou melhor, no Brasil que era deles.
Falar de índio hoje no nosso País quase nunca causa apelo. Muitas, MUITAS, pessoas ainda acham realmente que o destino mais próprio à população indígena ou é o isolamento completo e absoluto, para que elas esqueçam que os mesmos existam… OU a inserção dessa galera no nosso modelo super justo e eficaz de viver no mundão de meu Deus. Sinceramente, não sei qual dessas correntes de “pensamento” é a mais burra.
Imaginar que uma pessoa que está acostumada e que DESEJA continuar sua história no local origem é difícil demais? Precisamos realmente achar que todo mundo precisa ter um iPad, um iTouch, um notebook, morar enclausurado numa lata de sardinha (a.k.a apartamento de classe média) e demorar 200 mil horas para se descolar dentro de uma caótica, violenta e suja metrópole?
Achamos realmente que o índio será mais feliz e mais conectado ao mundo se retirarmos ele de sua reserva e mandarmos ele para o incrível mundo feliz da periferia das grandes cidades brasileiras? Entupi-los de comida cara e cheia de gordura e açúcar? Colocar ele num sub-empreguinho “digno” onde ele vai ganhar uma merreca porque “nunca teve estudo”, ou “porque é selvagem”?
Nos centros e nos bairros nobres ele não será sequer bem-vindo. E se fossem, será que seriam felizes com o nível de poluição sonora, visual e presos a castelos eletricamente protegidos por cercas e hipocritamente sustentados por ideais conservadoras e religiões proibitivas.
Sem menor intenção de doutrinar alguém, mas já doutrinando… Índio tem o direito de ficar onde está. A terra é deles, sempre foi. Vamos reler – e reescrever – nossos livros didáticos de Estudos Sociais. No dia 22 de Abril de 1500, Cabral parou sua nau em um país já descoberto, já ocupado e já habitado.
E durante os mais de 500 anos após, o que aconteceu na nossa Pátria amada, foi um verdadeiro genocídio. Sem exageros.  Não precisa ser o especialista da FUNAI ou do IBGE pra constatar isso. Qualquer mapa divulgado na internet mostra explicitamente esse doloroso e triste fato. Qualquer gráfico mostra, seja em barras, em pizzas ou em porcentagens, que morreram índios demais!
Vamos falar a verdade. Afinal de contas, índio deve fazer barulho e índio TEM sim seu orgulho. Vamos brincar de índio, e COM o bandido – pra mostrar pra todo mundo quem de fato ele é, e o que ele causou aos riquíssimos povos que, de fato construíram nosso lindo País.
O chato agora é que eu fiquei com a música na cabeça…
Pegue… Seu arco-e-flecha, sua canoa… Vamos remar…” 
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