Teatro Sírio

por Luís H. Deutsch

A França tem certeza que a Síria está usando gás tóxico contra os rebeldes que querem tomar o governo. A Rússia envia não sei quantos mísseis e equipamento anti-aéreo para Bachar-al-Assad. A ONU condena, os EUA dizem que chega-se a um limite. Israel põe-se alerta para um iminente ataque. A Turquia também.

Todos participam da Conferência dos AMIGOS da Síria. Querem o “bem” do país.

Enquanto os atores principais de uma sangrenta e infeliz peça desenvolvem seus personagens, hipócritas e completamente artificiais, a Guerra Civil na Síria ultrapassa 2 anos e chega a um número de mortos superior a 90 mil.

Quase 100.000 seres humanos que perderam suas vidas devido a um conflito pertencente à Primavera Árabe, que já virou outono, inverno, verão, sangue, bomba, estilhaço e tudo que possa imaginar, menos com a estação das flores.

Diante do tabuleiro internacional de interesses, vemos promessas vãs da construção de um Corredor Humanitário e vemos engessada a ação de organizações prol vida (como a Cruz e o Crescente Vermelho). Porém, vemos principalmente o diabólico jogo de nações. Interessadas em tudo, excluindo o real bem do povo sírio.

Sabemos de cor e salteado que as motivações para uma intervenção na Síria, partindo dos EUA não são 100% boas. Não dá pra levar em consideração um país que – ao mesmo tempo que condena a Síria –  apoia outros países tão violentos quanto, como os emirados, a Arábia Saudita.. Além do que, o retrospecto não ajuda o Tio Sam. Iraque e Líbia que o digam.

A Europa vive sua contradição de sempre. Quer ter uma posição alternativa, mas acaba no capacho norte americano. Ousa arriscar suas fracas economias e sua instabilidade política em uma empreitada bélica. Não deveria.

Mais para o Oriente, na Rússia… A sincera posição acaba por tornar mais violento o conflito. Armas de ponta enviadas, exército cada vez mais armado e matando cada vez mais gente. Israel e os países vizinhos atentos, prontos para apertar os temidos botões vermelhos.

No meio de tanta discussão, de tanta preocupação… Mais uma bomba cai no centro de Damasco. Morrem mais 50. O número de almas perdidas por dia aumenta, com ou não a utilização de armas químicas. O povo lá dentro não está pensando nisso. Pensam em sobreviver enquanto assistem ao cabo de guerra das “grandes potências”. Se já está claro que a ditadura síria não sobreviverá nunca mais naquele país e que a transição política é obrigatória, está claro que sua população vive em um estado terminal.

Os detentores de poder mundial não querem abrir mão de controladores da paz Cada um quer resolver a “pendência” de um jeito. Não conseguem cooperar. Só falta um “estopim” e teremos nossa III Guerra. Exagero?

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Exagero é o tamanho da arma que esse senhor empunha, o tamanho da destruição, o tamanho de número de mortos e a tamanha ambição existente nesse planeta.

O teatro sírio ganha traços cada vez mais dramáticos, pois é cada vez mais assistido sem despertar quase NENHUMA indignação coletiva. Vira um suspense de terror, com um horripilante e denso roteiro capaz de virar um daqueles filmes… Aqueles que assistimos já por duas vezes.

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