Sobre a Música

Semana passada me deparei com uma situação difícil. Há algum tempo computador entrou em parafuso e todas as músicas presentes foram perdidas.
Como as escutava sempre no meu velho Iphone não pude transferi-las para o computador. O que quer dizer que, não conseguia adicionar nenhuma música a não ser que apagasse todas as já existentes no aparelho.

Fiquei por semanas ouvindo as mesmas 455 canções e pensando em cada momento que tinham entrado em minha vida. Sim, pois cada música toma seu significado pelo momento. E eu, particularmente, possuo trilhas sonoras para cada momento do meu dia: faço exercício com um misto de Lady Gaga e Shakira, estudo ouvindo Chopin ou Shubert, caminho pelas ruas com Adriana Calcanhotto ou 5 a Seco e limpo a casa ao som de Aretuzza Love (nunca falei que tinha orgulho do meu gosto, mas normalmente é assim que acontece).

No entanto, acho que acabei criando uma certa dependência dessa “playlist quotidiana” e ela começou a não corresponder mais ao meu momento de vida atual. Olhando pra ela eu via minha “evolução”, os momentos passados com essas fiéis companheiras que me fizeram tanto levitar nos ultimos dois anos.

O desafio era claro: continuar com as mesmas músicas do passado ou apagá-las para ter espaço para o novo. Posso dizer que depois de algumas taças de vinho tive a coragem de tomar a segunda escolha. O silêncio e o vazio do celular me apavoraram.

E, pela primeira vez, em silêncio fui até a faculdade. O barulho do metro e as caras apáticas de seus indivíduos nunca foram tão evidentes. Minha vontade foi de voltar correndo pra casa e escutar qualquer coisa no youtube.

Mas, aos poucos, novas músicas foram entrando em minha vida. Passei a escutar um pouco o rádio, canções que amigos me indicavam. Enfim, descobrir o quê, hoje, pode me fazer levitar ou mesmo redescobrir qual parte do passado ainda se faz presente.

Além disso, a experiência de andar em silêncio pela rua, não foi tão má. Pois as ruas também possuem sua musicalidade, os passos na calçada têm ritmo próprio.

E os momentos de ausência musical abrem espaço para outro pensamento que não o éxtase causado pela minha droga diária. Pois todo vício quer tapar algo, alguma falta; e digamos que refletir sobre essa ausência ou saudade seja talvez o primeiro passo para superá-la e abrir o peito pra outra melodia.

The Sound of Silence.

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