Frente a um recrudescimento da violência da direita, esquerdistas israelenses aprendem a revidar

Publicado originalmente por Haggai Mattar* em 14 de Outubro de 2014 no site de notícias israelense +972 Magazine: http://972mag.com/facing-increased-right-wing-violence-israeli-leftists-learn-to-fight-back/97486/

Ataques contra árabes em Jerusalém se tornaram rotina neste último verão, e em Tel Aviv ativistas de esquerda encaram violência da direita. “Nós não queremos atacar o quartel-general de Baruch Marzel [líder israelense de extrema direita] nem nada, mas acreditamos que a vitimização da esquerda deve acabar aqui”, explica um ativista.

Noites de quinta e sábado no centro de Jerusalém se tornaram aterrorizadoras. Nestes dias, um grupo de jovens se reúne na Praça Sion, não raro ao lado de um estande permanente manuseado por membros do grupo anti-miscigenação Lehava. Os jovens se encontram lá e depois seguem para as ruas cantando “Morte aos árabes”, assediando e atacando taxistas árabes, mulheres trajando o hijab e negócios que empregam árabes. Desde que se tornaram mais ativos, cada vez menos palestinos têm pisado nestas partes da cidade.

Os poucos ativistas de esquerda que se atrevem a sair às ruas nestas noites normalmente andam ao lado dos jovens, silenciosamente, documentando suas ações e acionando a polícia – mas sem se envolver, pois sabem muito bem que a violência poderia a qualquer momento se direcionar a eles. Recentemente, no entanto, eles decidiram mudar sua abordagem. Na última quinta [dia 9 de outubro], cerca de duzentos deles se reuniram na Praça Sion para enfrentar a violência.

Aquela noite marcou a cristalização (temporária) dos grupos de auto-defesa de esquerda em Jerusalém, Tel Aviv e outras cidades em Israel. Poucos poderiam adivinhar, mas no meio daqueles duzentos manifestantes, vieram algumas dúzias preparadas para a possibilidade de uma confrontação violenta com extremistas de direita.

“Foi o evento de esquerda em Jerusalém mais significativo desde os protestos em Sheikh Jarrah [bairro de Jerusalém Oriental que foi palco de manifestações semanais entre 2009 e 2011 contra o despejo de famílias palestinas para assentar colonos israelenses]”, disse um ativista veterano.

“A presença coletiva antirracista não foi nada menos que chocante”, disse Eyal, outro ativista de Jerusalém. “Um mês atrás não se poderia imaginar um evento assim; não simplesmente ficando na defensiva e na surdina, mas atacando, marcando território, marcando seus inimigos e dizendo em alto e bom som que eles são ilegítimos – que eles não têm espaço no discurso público. Significa aparecer em massa, com confiança, mostrando força e estando pronto no caso de sermos atacados”.

Significado?

“Vamos apenas dizer que viemos preparados. Definitivamente preparados. De duzentos manifestantes, de quarenta a cinquenta sabiam como responder. Se a situação se fizesse presente – eles saberiam o que fazer. Se interpondo e defendendo, sem atacar ou procurar briga. Mas eles sabem muito bem como, se for necessário”, ele disse.

Daqui não dá pra ver, mas as pessoas da foto estão prontas para responder à violência. Um protesto contra o racismo em Jerusalém. [Na placa em hebraico lê-se “Amor Gratuito”] (Foto de Activestills.org)

Retomando as ruas

Nenhum confronto ocorreu àquela noite. Membros da Lehava não chegaram na Praça Sion em Jerusalém, preferindo passar a noite do feriado [judaico de Sucot, conhecido também como a “Festa das Cabanas”] no Quarteirão Judaico da Cidade Velha. Mas duas semanas antes, a briga era bem real. Um ônibus cheio de membros da Lehava viajou até Tel Aviv para entregar panfletos anti-miscigenação na Rua Allenby, no centro da cidade. Um grupo de ativistas de esquerda, alguns afiliados com os grupos de autodefesa treinados e outros não, apareceu e impediu [Bentzi] Gupstein [líder da organização racista] e seus seguidores de sair do seu ônibus.

A polícia interviu e separou os dois lados, enxotando o ônibus cheio de membros da Lehava para o porto de Tel Aviv, no que os ativistas viram como uma conquista. “Nos encontramos com uma hora de antecedência, decidimos quem estaria no comando na situação e com o apoio de nossos advogados fizemos um plano de ação”, disse um dos ativistas natural de Tel Aviv que estava lá.

“Originalmente nós nem pensávamos em impedi-los [de sair do ônibus] – nós só tínhamos preparado panfletos e íamos marchar ao lado deles, para mandar a mensagem de que incitamento racista é inaceitável”, o ativista adicionou. “Achamos que se eles fossem ao norte da Rua Bialik nós nos retiraríamos, porque essa é uma área com mais gente bêbada e outros que podem se juntar a eles contra nós. Mas em qualquer lugar ao sul dali, a chance de que a rua nos apoiaria aumentou. Em retrospecto, acredito que a mensagem de que eles não têm lugar aqui ficou bem clara”.

O encontro com Gupstein não ocorreu por acidente. Ali, assim como em Jerusalém uma semana antes, vários grupos se juntaram, organizações e ativistas independentes que decidiram que não queriam mais dar a outra face e se render à violência da extrema direita, e que iriam começar a retomar seu lugar na arena pública. Por isso, alguns decidiram estabelecer grupos para treinar autodefesa, seminários sobre não-violência ativa, planos de ação para proteger protestos e planejamento para situações nas quais eles podem encontrar violência nas ruas.

Alguns destes grupos se recusaram a ser entrevistados para este artigo, e a maioria dos ativistas só concordou em falar sob a condição de que não seriam identificados, por medo do assédio da polícia ou de ativistas de extrema direita. Eles também pediram que algumas de suas táticas não fossem reveladas. Mas além do seu manto de mistério, quem são essas pessoas que estão, pela primeira vez em anos, organizando uma resposta forte à direita radical? Como eles se juntaram e o que pretendem fazer? Para descobrir, e antes que eu comece a detalhar os vários grupos, precisamos de uma breve respectiva dos eventos deste último verão [ataques racistas contra palestinos em Jerusalém, efeito da Operação Margem Protetora de Israel contra Gaza].

‘Morte aos árabes’

A onda de violência contra árabes começou em Jerusalém no dia 30 de Junho, o dia do funeral dos três adolescentes israelenses sequestrados. Todo dia mais de mil pessoas invadiam as ruas, atacando pedestres árabes. Alguns dias mais tarde, o adolescente palestino Muhammad Abu Khdeir foi assassinado, levando a protestos e distúrbios em Jerusalém Oriental. Esses protestos continuam até hoje, e incluem jogar pedras e danificar o trem urbano de Jerusalém.

“Estou em Jerusalém há quarenta anos e nunca vi nada assim”, diz Eyal. “No começo era toda noite, e depois algumas vezes por semana, as pessoas andam pelas ruas, puxando motoristas árabes dos seus carros e atacando-os. Eles estão caçando nas ruas”.

Os ataques levaram ativistas de esquerda de Jerusalém, que desde os dias dos protestos em Sheikh Jarrah, haviam se separado e seguido em direções distintas, a se reagruparem para agir. Eles formaram redes de comunicação interna e começaram a organizar patrulhas nas áreas mais delicadas do centro da cidade. Quando podiam, tentavam proteger fisicamente árabes que estavam sendo atacados. Quando não podiam, eles filmavam, eles filmava, chamavam a polícia e aconselhavam palestinos a evitar certas áreas. “Não era ideal, mas parecia como a única opção na época”, Eyal me contou, frustrado.

Com o tempo o grupo cresceu e passou a ser conhecido como a “Guarda Local”. A eles se juntaram ativistas e jovens de opiniões diversas. O grupo começou organizando instruções mais diretas, e tomou sobre si a tarefa de fornecer apoio durante uma marcha semanal por paz e tolerância, organizada pela escola bilíngue local durante a guerra. Eram marchas pequenas que, apesar de não terem nenhum slogan, eram atacadas por jovens judeus e precisavam da proteção da “Guarda Local”.

Ao lado de grupos e coalizões maiores, do partido comunista árabe-judaico Hadash ao Partido Trabalhista e outras organizações, estas foram as pessoas que organizaram os protesto de quinta passada na Praça Sion.

Enquanto isso em Tel Aviv, as coisas evoluíram de forma um tanto diferente. Em 12 de Julho, extremistas de direita atacaram a primeira demonstração anti-guerra em Tel Aviv, ferindo várias pessoas. A polícia não fez nada. O episódio deu ao incendiário rapper HaTzel (“A Sombra”) um palanque público durante a guerra, o que deixou claro para ativistas de Tel Aviv que tal evento não poderia se repetir.

“A violência que ocorreu durante aquele protesto deixou claro que as regras do jogo mudaram. Não é claro se mudaram permanente ou temporariamente, mas algo aconteceu”, disse B, um dos manifestantes. “Surgiu uma necessidade imediata de se reunir antes de cada protesto, de planejar o que fazer, pensar sobre como prevenir confrontações, onde ficar, como formar uma divisão que controle os ataques contra nós bem como aqueles do nosso lado que queiram intensificar o confronto”.

“Quando formamos uma cadeia humana sólida, densa e seguramos nossas mãos e não respondemos mesmo quando eles cospem na nossa cara ou nos xingam, isso manda a mensagem que nós não recuamos, que estamos confiantes, que estamos fornecendo proteção e segurança àqueles que querem protestar contra a guerra e de outra forma teriam medo demais para isso. As pessoas nos agradeceram profusamente por lhes trazer um senso de segurança”.

Conforme continuaram os protestos, o grupo usou técnicas como cadeias humanas, organizadores que mantinham contato visual, vigias, pessoas de preto espalhadas pela área e prontas para intervir se necessário, um sistema de dispersão segura e bandeiras enormes que faziam cercas protetivas improvisadas ao redor dos protestos. Como alguém que estava nesses protestos, eu posso dizer – funcionou. Realmente deu aos manifestantes um senso de segurança, e minimizou os pontos de confronto com os direitistas.

Protegendo um protesto contra a guerra do lado de fora do teatro nacional de Israel em Tel Aviv. [lê-se na placa em inglês “Precisamos de esperança; acabem com o apoio militar”]

‘No More Mr. Nice Guy’

Além da organização de forma ad hoc antes de cada protesto, o que incluía manifestantes que não pertenciam a nenhum grupo, a crescente violência da extrema direita nas ruas levou ao estabelecimento de inúmeros grupos organizados.

O grupo anarquista “Achdut” [do hebraico, “União”] organizou a “Guarda Negra”, que treinava autodefesa e Krav Magá [arte marcial israelense]. Outros ativistas estabeleceram o “Antifa 972” [972 sendo o número mundial de ligação para Israel] (sem relação com a revista), uma abreviação para “antifascistas”. Pelo menos dois outros grupos, que pediram para não ser incluídos no artigo, também começaram a treinar e participar de atividades de autodefesa.

Os ativistas em cada um desses grupos denotam que não há apenas uma organização, tampouco qualquer tentativa de formar um poder político ou um novo movimento. Eles também que isso não seja uma nova moda, mas mais uma necessidade de reagir e se proteger de novos perigos que se tornaram uma realidade para palestinos e ativistas de esquerda nas ruas. No final das contas, incluindo os jerusalemitas da “Guarda Local”, os membros dos grupos somam aproximadamente cem pessoas.

“A esquerda radical não tinha a experiência ou o espírito militante para lidar com a violência dos fascistas”, explica Yigal Levin da Guarda Negra do Achdut. “É por isso que trouxemos pessoas que sabem artes marciais, e começamos aulas semanais de graça para esquerdistas interessados. Não foram só os anarquistas e comunistas que compareceram – até mesmo liberais sentem que qualquer um visto como um ‘esquerdista’ pode ser ferido agora”.

“Logo antes da guerra, amigos meus no grupo ‘Luta Socialista’ foram espancados em um protesto. Eles eram quatro contra dois direitistas, e os direitistas os atacaram. Nós não queremos que esse tipo de coisa aconteça de novo. Nós não queremos ser crianças mal tratadas – nós queremos nos dar respeito. Não queremos atacar o quartel-general de Baruch Marzel nem nada, mas acreditamos que a vitimização da esquerda deve acabar aqui”.

Treinamento em auto-defesa (cortesia do grupo ‘Solidariedade’)

Membros do grupo Antifa, um dos grupos mais ativos e bem-conhecidos, preferiram não ser entrevistados para a matéria, mas emitiram uma declaração na qual disseram que são um grupo nacional cujo objetivo é “estar presente quando os desgraçados chegarem, pra protestar contra eles, pra proteger nossas comunidades e as comunidades com as quais nós estamos em solidariedade, e às vezes apenas assistir e documentar. Os princípios básicos do grupo tal qual descritos na sua declaração incluem estar presente em todo lugar onde haja incitação ou ataques contra grupos oprimidos e esquerdistas, lutar contra qualquer forma de racismo, capitalismo, ocupação, machismo e outros, agir diretamente e sem ajuda da polícia ou de qualquer braço do Estado, e se manter solidários e unificados – sem sectarismo interno da esquerda.

O grupo tira sua inspiração de grupos parecidos na Europa, onde a luta violenta contra o fascismo nas ruas é uma tradição consagrada. Até mesmo o nome e o símbolo do grupo foram copiados de grupos europeus, e têm muitas semelhanças na retórica e táticas que foram aprendidas por ativistas que passaram algum tempo no exterior. Em um vídeo do confronto da Rua Allenby divulgado pelo grupo anti-miscigenação de extrema direita Lehava, é possível ver muitos dos ativistas gritando “No Pasarán” (“Não Passarão”), um lema usado por lutadores republicanos contra o fascismo durante a Guerra Civil Espanhola nos anos 1930.

O modelo europeu: um protesto anti-fascista no Reino Unido. (Foto de Tim Buss/CC)

Uma cultura de força

O novo método de ação, especialmente o bloqueio dos membros da Lehava em Tel Aviv, necessariamente acende dilemas e controvérsias entre os ativistas. Como estes métodos de organização são ainda muito novos e não foram totalmente cristalizados, o debate ainda está em seus estágios iniciais, mas já trata de questões sobre o que é proibido e o que é permitido, que perigos emergem de organizações mais violentas, e quais são os limites do discurso sobre o proibido e o permissível dentro de um panorama político.

“Nós temos aqui um grupo de pessoas cuja experiência é de perseguição, e se isso mudar no futuro – o que não é a situação hoje – teremos que avaliar o significado da violência exercida contra os perseguidos versus violências contra os que não são perseguidos”, diz Kobi Snitz, um ativista veterano em grupos de esquerda radical. “Eu olho para os movimentos confrontando a direita da Europa, e o cenário não é bonito. Eu vejo entusiasmo surgindo da violência. Existe um fenômeno psicológico ou político onde atingir algo por meio da violência justifica mais violência. Nós vemos isso diariamente entre soldados servindo nos territórios ocupados”.

“Eu não tenho nenhum arrependimento sobre o que fizemos no verão. Foi a coisa certa nos organizarmos e nos defendermos, além da proteção da polícia, que, por razões políticas, teve que nos defender depois da primeira demonstração. Temos que prestar atenção no que está acontecendo na Europa, apesar de uma diferença básica: ali, os grupos direitistas estão do lado de fora da lei, enquanto aqui, ameaçar a esquerda é apoiado institucionalmente pelas autoridades e liderança”.

Existem aqueles entre os ativistas que temem a ascensão de uma cultura militarista, que respeita aqueles que podem providenciar mais proteção, vir para uma demonstração com mais ‘músculos’, mais presença, mais “experiência de combate”, mais “bravura”, e estão pelas consequências dessa situação e sua influência na cultura da esquerda. Uma outra questão é quem é exatamente o inimigo a ser confrontado.

“Eu não tenho dúvidas de que Bentzi Gupstein é meu inimigo, um autodeclarado discípulo de [Meir] Kahane [fundador do grupo terrorista Liga de Defesa Judaica, assassinado em 1990], mas a questão é quem são os jovens em volta dele que gritam ‘Morte aos árabes’ em Jerusalém. Não é com eles que eu quero brigar. Não são essas pessoas que vêm com a ideologia da juventude dos assentamentos. Muitas vezes eles são os produtos da miséria, que se sentem marginalizados pela sociedade. Eu fui em patrulhas pela cidade com professores que reconheciam alunos seus entre eles. Eu realmente não quero empurra-los pro canto e fazer deles nossos inimigos, mas é difícil”.

“Focar nos kahanistas como um símbolo do racismo israelense é um tanto quanto problemático”, denotou Snitz. “Os kahanistas sim compõem uma parte da infraestrutura racista, a vanguarda, mas eles são uma cultura marginal. Confrontar os extremistas pode nos levar a esquecer do resto. Impedi-los de distribuir panfletos em Tel Aviv não vai levar árabes a serem aceitos como membros de kibutzim [comunidades rurais cooperativas], ou a Lei do Retorno [que dá cidadania imediata a qualquer judeu requerente] a ser revogada, ou o fim das revistas abusivas no Aeroporto de Ben-Gurion. Essas coisas não se originaram dos kahanistas”.

Mas a distribuição de panfletos é uma ameaça tal que deve ser combatida ou proibida, mesmo se o conteúdo é racista?

“Eu não acho que o discurso democrático deva servir como um escudo para a incitação”, diz [uma ativista que pediu para ser identificada como] B., e muitos nos círculos de defesa concordam com ela. “Se essas pessoas vêm pra maltratar trabalhadores árabes nas cozinhas de restaurantes, ou para promover condutas que foram designadas como ilegais já no começo dos anos oitenta, então sim – existe justificativa para agir. Eu não estou dizendo necessariamente que a polícia tem que agir – uma proibição contra eles [a extrema direita] pode acabar por nos prejudicar também, mas pessoalmente eu reajo com firmeza quando coisas assim no meu convívio”.

Uma faixa como uma muralha de proteção, Tel Aviv. [em inglês, “Parem o massacre; acabem com o cerco”]

Se preparando pra próxima vez

Para onde vai este movimento agora? Vimos que estes grupos, sem exceção, surgiram como uma reação aos eventos do verão. O que será deles quando vierem as primeiras chuvas?

Em Tel Aviv, alguns ativistas chegaram domingo [dia 12 de outubro] de tarde na demonstração da extrema direita no Parque Levinsky no sul de Tel Aviv, se posicionando discretamente ao redor da demonstração tendo em vista proteger comerciantes e refugiados à procura de asilo contra ataques em potencial. Em Jerusalém, a Guarda Local continua suas patrulhas, apesar de os ataques contra árabes nas ruas terem diminuído substancialmente desde o fim da guerra. E quanto à organização para defender as organizações da esquerda?

“No caso de uma demonstração que tenha a ver com os territórios [ocupados] – estes grupos estarão lá com certeza, assim como estavam no verão”, esclareceu B. “Se a Lehava tentar voltar para Tel Aviv, estaremos lá também. Pessoalmente, eu não acho que deveríamos ir a lugares onde não somos convidados e tentar salvar o mundo em todo canto, mas algumas pessoas de fato vão. A mobilização na Europa sempre tem um caráter local, das pessoas defendendo o espaço onde elas moram, e eu acho que esta é a abordagem certa”.

“A rua em Jerusalém não é como a de Tel Aviv”, contrariou Eyal. “Aqui, todos na rua tendem a estar contra você. Nosso objetivo é estigmatizar o racismo como anormal, como ilegítimo. Tem que estar no plano da rua, e no nível das demandas políticas – no plano municipal e no nacional”.

“De qualquer forma, apesar das coisas terem se acalmado relativamente, nós não voltamos de fato à situação de antes da guerra, que também não era lá grande coisa. Árabes ainda estão com medo de andar pelas ruas e eles nos pedem para acompanha-los até o correio ou aos escritórios do Seguro Nacional. Eu temo que a próxima onda, quando vier, vá começar no ponto onde essa onda de agora parou, e será mais violenta e mais perigosa. Nosso trabalho é pelo menos mudar o ponto de partido da próxima rodada”.

*Haggai Mattar é um jornalista e ativista político israelense. Depois de escrever para Ha’aretz e Ma’ariv, ele é agora coeditor de Local Call, o site gêmeo da +972 em hebraico. Ele ganhou o Prêmio Anna Lindh de Jornalismo Mediterrâneo em 2012 por sua série de matérias para a +972 sobre o Muro de Separação.

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