ARQUEOLOGIA DE UM AMOR

Achava engraçada essa sua mania de ser discreta pela casa. Enquanto, ao contrário, eu achava que cada sinal da seu era uma pitada de alegria.

Sua presença silenciosa era mesmo um sinal da energia que me mantinha em pé e da força de uma muralha cheia de fraturas que, enfraquecidas pelo teu olhar que via tudo em mim, inclusive essa fragilidade, mostrava também todos os detalhes e sutilezas que fazem parte de mim.
E quando você foi embora. A casa intacta, limpa e organizada… sua escova de dentes fossilizada e uma tachinha de brinco perdidas no banheiro foram os últimos resquícios materiais de sua passagem pela minha vida.
Ainda faço a arqueologia desse amor em emails, livros e músicas.
Ainda te ouço, ainda escuto o que eu não podia entender naquele momento, meu amor. E envio essas cartas sem endereço com a esperança que de alguma maneira, indireta, cheguem a você.
Ainda fecho os olhos pra sentir a sua pele. E, de repente, o cinema de domingo não fazia mais sentido, nem os risos das rodas sociais.
Apenas seus resíduos ainda podem me entender. Apenas o pouco da sua presença justifica o quanto não quero e não posso te esquecer.
Porque o teu amor me deu a vida que eu não conhecia, e é meu dever te perder, é coerente pra mim te deixar viver.

“(…) eles vão lutar até a morte”

No meu artigo anterior, tentei dar um overview da situação envolvendo o povo curdo frente às guerras civis na Síria e no Iraque, com a desestabilização dos governos xiitas seculares e corruptos em Damasco e Bagdá e o avanço do salafismo sunita virulento do Estado Islâmico (EI/ISIS/Califado/Dash), com suas bravatas e decapitações de jornalistas e trabalhadores voluntários ocidentais. De lá pra cá muita coisa rolou, com destaque pra intervenção conjunta da coalizão da OTAN com quase todos os regimes árabes da região para uma campanha de bombardeios de longo prazo ao EI, com níveis variados de efetividade.

Dando sequência ao tema, decidi procurar uma perspectiva pessoal dos acontecimentos recentes; entrei em contato com Sarjas Hussein, nascido na cidade Sulaimaniyah, no Curdistão Iraquiano, em 1989, e que desde os 8 anos vive em Colônia, na Alemanha. Sarjas trabalha meio-período em um restaurante de comidas do Oriente Médio, fazendo pratos típicos como falafel e shawarma, e estuda engenharia na Fachhochschule, a Universidade de Ciências Aplicadas de Colônia. Sarjas não é um ativista, nem é particularmente politizado, mas ele é um curdo orgulhoso, e um muçulmano sunita devoto, e se sente impelido a ter uma opinião sobre o sofrimento de seu povo e o desvirtuamento de sua religião.

Quando e por que você deixou o Iraque?

O motivo foi a situação com Saddam Hussein. Ele nos caçou e tivemos que sair do país. Para encontrar uma vida normal. De 1989 a 1997 ele caçou os curdos. Nós saímos em ‘97. Ele nos bombardeou com toxina. Um de meus primos, ele tinha entre 15 e 20 anos quando foi sequestrado, e eles o mataram com eletrochoques. Existem muitos vídeos na internet mostrando como Saddam massacrou os curdos. Ele era um estudante, seu nome era Sayfadin. Hoje em dia existe um hospital em Sulaimaniyah nomeado em homenagem a ele.

Como você chegou na Alemanha?

Meu pai deixou o Iraque e veio para a Alemanha a pé, às vezes por carro. Ele saiu em 1994 e teve que viver na Turquia por alguns meses, e depois seguiu a pé, e depois atravessou a Grécia na caçamba de uma caminhonete, e dali até a Itália. Ele pegou um carro e um trem pra Alemanha. Ele trabalho aqui e conseguiu comprar três passaportes, pra minha mãe e meus dois irmãos. Eles fugiram da Turquia pra Alemanha em 1996. Eu fiquei na Turquia por nove meses com meu tio, porque meu pai não tinha dinheiro suficiente para trazer todos nós junto. Nós chegamos no ano seguinte, junto com umas trinta outras pessoas.

Você viu algum episódio de violência?

Sim, eu vi algumas coisas. Quando eu tinha cinco anos, uma mina explodiu em um contêiner na nossa rua, quando algumas crianças estavam brincando. A mina era do Saddam.

De que forma a ditadura de Saddam afetou você ou seus conhecidos?

Nós perdemos muito com Saddam. Tivemos que sair porque os homens de Saddam estavam invadindo casas e expulsando e prendendo as pessoas, para atirar ou torturar depois. Eles quebraram três tábuas na cabeça do meu tio. Ainda dá pra ver as cicatrizes.

De que forma a Guerra Civil Curda (1194-97) afetou você ou seus conhecidos?

Muitos amigos meus lutaram na Guerra Civil, lutando seja pelo PDC [o Partido Democrático Curdo , de Massoud Barzani], seja pela UPC [a União Patriótica do Curdistão, de Jalal Talabani]. Em 2012, todos eles receberam carros e casas destes partidos, como recompensa pelos seus serviços. Mas a maioria das pessoas de Sulaimaniyah são da UPC.

Vídeo feito pela TV britânica na época do massacre de Halabjah, perpetrado pelo exército iraquiano contra civis curdos em 1988

Como você vê o EI e seu avanço recente no Iraque?

Islã significa liberdade. Mas estas pessoas não estão realmente tentando fazer seu “estado” de uma maneira islâmica. Eles são parte de um plano para denegrir a imagem do Islã aos olhos do mundo.

Você ainda tem amigos/família no Curdistão Iraquiano? Que notícias eles te mandam?

Sim, minha tia e tios. Eu estava lá em abril. Tudo estava relativamente normal, mas alguns dias atrás eu liguei para um amigo meu, e ele disse que os negócios, como compras e vendas, tinha mudado. Eles não têm medo do ISIS, eles vão lutar até a morte. Além disso, muitos curdos que moram na Alemanha voltaram para o Iraque para lutar.

Quais você acha que são as chances para uma real independência curda nos próximos anos?

Eu não sei se é possível. No momento, eu acho que só precisamos de mais coração e humanidade, não necessariamente de independência. Só D’us sabe se os Peshmerga conseguirão salvar o Curdistão do EI. Acho que temos aproximadamente cinco vezes mais homens do que eles têm. Barzani lideraria os curdos em direção à independência; e os curdos na Turquia e no Rojawa [região da Síria controlada por grupos armados curdos, as Unidades de Proteção Popular, desde o começo da Guerra Civil] teriam que segui-lo, por causa de toda a sua influência.

Quem na comunidade internacional vai apoiar os curdos na sua luta?

Outros países nunca apoiariam os curdos. Acho que a situação com o EI é um plano para incrementar o exército do Curdistão Iraquiano, e renovar suas armas. Eles – a mídia e os políticos – querem usar os curdos para conseguir o que querem. Petróleo. Ouro no Eufrates. Sem falar da posição geográfica estratégia do Curdistão, entre a Ásia, África e Europa.

Considerações Finais

Sim, somente uma coisa: nós devemos aprender a viver em liberdade e com D’us. E devemos aprender a controlar nossas emoções.

Um Grão entre dois Desertos

por Zuni Plínio*

Talvez seja a sombra de pirâmides e faraós, tanto passado e tanta imortalidade, que dá um peso diferente ao Egito. Talvez seja a multidão, os milhares de carros e motos, pessoas na rua vendendo pão e bugigangas aos observadores da vida desocupados sentados nas calçadas fumando seus narguilés. Talvez seja só a impressão de um estrangeiro colonizado por preconceitos e utopias que não entende a língua e a vida dessa gente e desse lugar.

No Cairo, as urgências se dissolvem em cafés e narguilés, homens sentados solitários soltando fumaça e vendo a vida que passa sem passar, jogando gamão e comendo com a mão o pão com feijão e fumaça das motos que passam e voltam apressadas nas vielas apertadas em que se espremem as esperanças e esperas de um povo que ri e se angustia com uma revolução que deu manchetes nos jornais, poemas e sangue nas praças e mesquitas e terminou exatamente onde começou.

Talvez seja só a confusão de um utopista com a constatação do óbvio: o Egito não é a Palestina.

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No Cairo, dissolvo-me na multidão. Aqui não sou um ativista, uma faísca ou rota de fuga pra mensagens e histórias que batem de frente com muros e militares sionistas.

Na Palestina havia um porquê em cada manhã. Lá as pessoas viam, nas câmeras e cadernos estrangeiros, um caminho por onde contrabandear sua voz e sua história. Aqui sou só um estudante gringo com alguns dólares no bolso pra perder em papiros e miniaturas de esfinges.

Não há, na Palestina, monumentos e museus que lutem contra o tempo e a invisibilidade de um sistema colonial. As pedras que aqui se empilham em pirâmides lá são escombros cobrindo o chão sob buldozzers e botas que marcham, matam e negam. Por mais que Holliwod tente embranquecer e europeizar os Reis e deuses africanos do Nilo, ninguém tentará negar os milênios que se acumulam nas paisagens e historiografia egípcia. Enquanto isso, o passado palestino sobrevive nas vozes do presente. As histórias, poemas e canções constróem e reconstróem uma memória roubada e escondida. Palestinos precisam reconstruir dia após dia seus ancestrais da mesma maneira que fazem com as casas destruidas pelo exército israelense. Talvez por isso o tempo corra diferente aqui. Lá, o tempo é feito de urgências, e cada novo assentamento, cada novo pronunciamento racista de um governo colonial, cada novo metro de muro sufoca a ideia de futuro, e cada dia é uma urgência real. No Egito o tempo é vasto, e existe muito passado pra que se tema pelo fim do futuro.

No Cairo é fácil sentar e assistir o jogo de futebol de hoje esperando o jogo de amanhã. A certeza do amanhã não se oblitera pelos tanques de guerra cercando a Praça Libertação.

As pedras palestinas voam, enquanto que as egípcias permanecem. Lá, as pedras servem ao povo anônimo,rostos escondidos sob lenços. Aqui, as pedras servem aos turistas, se amontoam em túmulos de reis de rostos estampados em camisetas e cartazes de agências de viagem.

Talvez seja a clareza do inimigo que torna a luta da Palestina tão evidente. Aqui, o opressor não vêm de fora, não fala outra língua, não declara seu ódio e racismo em tribunas da ONU com anuência da CNN e dos donos do mundo. Aqui, revolucionário e repressor se confundem na rua, no rosto, no nome, na família e no discurso de um mesmo amor pela mesma terra com pontos de vista diferentes.

O tempo é preguiçoso, grande e lento no Egito, majestoso e vasto demais pra caber nos anseios de uma juventude perdida entre revolução e tradição. Na Palestina o tempo emagrece nas greves de fome, nas prisões, bombardeios e esmolas de ONG’s ineficientes e ativistas ineficientes que escrevem em suas pranchetas, teses acadêmicas e blogs inúteis.

No Egito, a paciência é uma virtude. Na Palestina, é uma fraqueza.

Ou talvez seja só eu que não saiba lidar com o deserto de tantos ontens e amanhãs.

*Zuni cursa Literatura na FFLCH e atualmente mora no Cairo; texto originalmente publicado no Blog Desconolizações&Desconstruções.

Luto de um amor não vivido

Às vezes é preciso tirar um momento para pensar naquilo que é proibido, no que não deveríamos pensar. Afinal a vida nos foi prometida tão simples: crescer, ter um emprego, um amor, filhos, uma casa.

Felizmente ou não a vida acabou sendo diferente, e por um motivo nos abrimos à sua irreverência quase cínica… como um sorriso de canto de boca que diz: “quem disse que ia ser fácil?”

E aí que é quase evidente que algumas perdas são parte do caminho, mas outras simplesmente são uma surpresa. Todo mundo um dia sofre por amor, mas normalmente as relações acabam por falta de amor ou de vontade de continuar de pelo menos uma das partes envolvidas. E quando as duas partes se amam, mas ainda assim a relação deve obrigatoriamente terminar?

Uma das partes pode simplesmente morrer, distanciada por questões geográficas ou culturais, ainda pode ser a presença de uma terceira pessoa e somos obrigados a escolher. O fato é que temos que, nesse caso, lidar com o luto do que não acnteceu, de um amor que poderia ser mas que não pôde ser vivido ou mesmo concretizado.

Então acontece um fenômeno estranho: começamos a sentir saudades de fatos que nunca existiram, de lugares que nunca fomos, de beijos nunca roubados, de declarações nunca feitas. A perda se torna ainda mais dolorosa sabendo que, se existissem terceiras escolhas na vida, poderíamos estar juntos.

Outro dia falei com uma pessoa que acabara de perder uma amiga de infância, perguntei estupidamente como ela estava e ela me deu uma resposta que superou muito o nível da minha pergunta: “Claro que está sendo difícil, mas pelo menos, nesses últimos tempos consegui estar do lado dela, conversar, ajudar no que foi preciso…conseguimos dizer tudo o que era importante”

Um belo filme sobre o assunto chama-se “Hanami, cerejeiras em flor” que fala sobre um homem que, depois de perder sua mulher, vai ao Japão durante a época em que as cerejeiras florescem, aprender a dança tradicional japonesa “bantô” – vestindo as roupas da falecida seu objetivo é realizar o sonho de sua amada, ainda que ela esteja morta.

Uma das qualidades de quem ama é a vontade de partilhar, e a dor de não poder dividir o jantar, o jardim, os netos, as viagens e os sonhos é ainda maior quando são os imparativos pragmáticos da vida que interrompem uma ligação. Como diria o psicanalista Emílio Rodrigué : « algumas separações são necessárias, outras não ».

Mas ainda que doa o pensamento nas relações proibidas ou interrompidas, suas cicatrizes (o que essa relação nos deixou e o que ela nos transformou) são infinitamente mais belas do que um coração virgem de sofrimento.

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O Corpo

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por Sofia Caseiro*

O Corpo fala então:
Escute!!

Não coloque
Nu meu corpo nu
SUAS
Amarras
elas nao
me pertencem

Do nascimento
ao comportamento
Ele se mantém
solto ao vento
Não deixo
seu tormento
Me dominar

Aonde está o desrespeito
Ele eh teu ou meu??
Sou assim
Livre para voar

Não me empurre
seus conceitos
Seus preconceitos
Minha simplicidade
É natural e
vai continuar

Simples momento
Desconstroi seu pensamento
Basta se deixar levar
Se tivesse uma calcinha
não ia te chocar?

Me respeite
Esse desconforto eh teu
Não venha me empurrar
me responsabilizar

O meu eh assim
Solto
ninguém vai me
Segurar

Continua sendo
So sendo meu
O corpo nu ou não
Ele ainda eh meu

Pegue o seu
Saia para passear
Vá ver o mar
Sentir cheiro de mato
Se preocupar
Em como
viver de fato!!

*Sofia Caseiro é estudante de Psicologia na PUC-SP.

O problema da liberdade

“L’art nous contraint d’être libres”, essa foi uma frase dita por Nietzche e explicada pelo sociólogo da arte Bruno Péquignot, que leciona atualmente na Universidade Sorbonne-Nouvelle.

“Contraint”quer dizer quase uma forma de obrigar, de nos colocar um problema, um imprevisto que nos forçaria a algo. No caso dessa frase o filósofo diz que a arte nos força a ser livres.

Achei interessante essa frase pois sempre havie entendido a palavra e eo conceito “liberdade”de maneira muito positiva, como um direito, como algo intrínseco à natureza humana. Mas Monsieur Péquignot continua a explicação dizendo que ä liberdade nos causa muitos problemas…”, explicou, sorrindo discretamente com um olhar de quem já viveu o que explica.

Ele diz: “A liberdade nos obriga a sair da nossa zona de conforto, a repensar muita coisa… Normalmente gostamos mais de estar confortáveis.”Concordo com meu professor, vejo as pessoas fazendo muitos planos, quase que imutáveis para se assegurar de algo que no fundo é imprevisível, a vida.

Quantas vezes não ouvi amigas falando que iriam se casar e ter um filho antes dos 30 anos. Não é que eu não respeite seu desejo e sua escolha de vida, mas me pergunto: como podemos colocar um prazo para se apaixonar?

Basta ir num jantar de família, para sentir a pressão que esses planos impõe: “e aí, e as namoradas? Já casou? Vão ter filhos?…”Basta também começar a responder essas questões de maneira um pouco mais irreverente que o normal, para notar o estranhamento, ou quase pânico dos que estão em volta com um simples “não sei”. Talvez por que a liberdade alheia também assuste e faça refletir sobre nossas próprias escolhas…

Talvez fazer administração ao invés de história, ter casado com aquela mulher tão perfeita, ir a todos almoços de domingo não tenha sido o bastante para ser feliz… como todos lhe prometeram.

E a arte nisso tudo? A arte serve, existe, para repensar os códigos e leis (sociais ou políticas) impostos pela sociedade. Uma das melhores explicações sobre o que é e como funciona arte veio da brochura do instituto Votorantim para projetos culturais; onde ele explica que um pedaço de madeira pode ser um banco para sentar
ou um totem, o papel da arte seria desconstruir o anco e o totem.

A arte coloca em evidência tudo o que nāo é dito claramente, os resquícios do que não é entendido ou dito numa conversa, explicita a distância que existe entre o emissor, a fala e o receptor da mensagem. Para tanto a arte se utiliza de uma inteligência que é sensível.

Nos resta entender porque esse tipo de inteligência é sempre tāo rebaixada, vista como “pouco séria” ou paradoxalmente vista como tāo perigosa, algo que precisa ser controlado, basta ver os movimentos de censura artística durante governos ditatoriais ou mesmo o Index, da igreja católica – que define os livros proibidos, entre eles clássicos como Madame Bovary de Gustave Flaubert – ou ainda a queima de livros de autores judeus e comunistas pelos nazistas.

Por quê tanto medo da arte? Porque ela nos faz enxergar as grades invisíveis impostas, nos faz imaginar um mundo que poderia ser diferente, a começar por nossa própria vida.

israel é o bezerro de ouro

GoldCalf

por Kevin Coval
(tradução por Marko Guastiov)

para Tisha B’av – 4 de August de 2014

Eis o seu deus, ó Israel, que vos tirou do Egito! – Exodo 32 verso 4

O Tisha B’av comemora o falso relato
judeus aceitaram vagar pelo deserto
quando começamos a venerar ídolos.

Abraão quebrou os ídolos
na loja de esquina do seu pai
porque ele tinha certeza
De-s é uno.

a maior atrocidade que se abateu sobre os judeus hoje
e nos últimos cento-e-tantos anos é a aceitação desses falsos relatos
e a veneração ao estado de Israel.

israel o ídolo.
israel o De-s falso.
israel o bezerro de ouro.

Theodor Herzl, fundador do sionismo moderno
um judeu germanófono secular e húngaro
assimilado, em seu diário de 1895, em referência à população

indígena da Palestina, querendo dizer que já havia pessoas lá
chamadas Palestinas, escreveu:
Nós tentaremos impulsionar a empobrecida população para o outro lado da fronteira…
negando a ela emprego em nosso país.

e assim começa ou continua
a reivindicação de uma terra não nossa.
a mente colonizada assimilada
de judeus vivendo confortavelmente em impérios
europeus aprendendo dos poderes europeus
a alçarem bandeiras.

nós cobiçamos essas bandeiras e
queremos alçar a
nossa própria.

os esnobismos eloqüentes de homens judeus
europeus ocidentais assimilados se tornaram os pais
de israel. eles são os avôs racistas
na cabeça das nossas mesas de jantar
na cabeça dos nossos estados
e da solução de 2 estados.
eles contam as mesmas
mentiras e histórias falsas
desde 1897 durante o primeiro congresso sionista
em Basel, Suíça.

Herzl escreveu que israel seria
uma colônia parte do muro de defesa
da Europa na Ásia, um posto avançado da civilização
contra a barbárie, ele disse.

eu vos apresento o pai de israel
e os pais que ele pariu
e os pais depois deles.

israel o brutamonte idiota.

você construiu um império
igual à europa, igual à américa
e colocou 1.8 milhões de Palestinos
em um canto de Gaza e os bombardeia
em hospitais e os bombardeia
em escolas

agora você faz o seu próprio genocídio
a sua própria limpeza étnica
o seu holocausto

isso é o que você está fazendo.

você está livrando um povo de uma terra

seu golias

israel o bezerro de ouro
o falso de-s

nós veneramos
nós envenenamos

isso é o que acontece
quando você constrói um estado
quando você ergue barreiras
quando você se define
em oposição ao outro.
quando você outra

israel eu não quero um assento à sua mesa
eu comerei com os goyium que você tanto despreza
ou eu comerei sozinho

eu não quero aliyah.
a audácia de ascender
a um lugar maior
um lugar onde há
vida já e amor
e gerações
que agora assassinamos.

sua cidade de paz
é uma cidade de morte.

eu renuncio à minha cidadania.

nós somos um povo da Diáspora
feitos para vagar, para fazer
do mundo inteiro uma casa
para nós e para todos
para chamarmos todos os lugares de
Jerusalem
não um lote de terra
é uma metáfora!
seus literalistas!
seus racistas!
seus genocidas imitadores de europeus e americanos!
seus maníacos!

nosso dom tem sido tornar todo lugar divertido
divino

não uma terra mas toda a terra
não um povo mas todo o povo
nós fomos escolhidos para vagar
Sião está afrente, é um futuro
em cuja direção trabalhamos, o messias
não uma pessoa, mas um tempo

israel você é um império.
você tem ogivas e armas
usadas para desmantelar casas e famílias
e pessoas do respiro. tua água é sangue
Gaza a câmara de gás ao seu redor
Palestinos adentro.

israel você é o bezerro de ouro
mas eu ainda sou judeu
eu vejo você prostrada na frente de ídolos

mate os seus ídolos!
fodasse os seus ídolos!

cada pessoa jovem
cada judeu jovem
cada pessoa não chamada netanyahu
não um primeiro ministro israelense criminoso de guerra

nós fomos enganados
nós fomos manipulados
nós fomos coagidos

seu judaísmo não depende
da lealdade absoluta a um estado
que assassina em seu nome.

israel não é uma religião
israel é o bezerro de ouro
e De-s é
uma criança em Gaza

e isso é holocausto
isso é genocídio
isso é limpeza étnica
isso é o que é
e não pode mais ser.

israel eu te abomino.

hoje durante o Tisha B’av
eu lamento pela Palestina
por Gaza.

sionismo é racismo.
pergunte à américa o que acontece
quando você funda a idéia de um país
na supremacia de alguns
sobre a humanidade de todos.

onde estão os indígenas
todos os nativos desse país
nessa cidade
em israel

eu lamento pela moralidade de um povo
de um mundo, de um país aqui
de um país ali. eu lamento
as vidas se esvaecendo em prisões
para pessoas Negras e Mulatas
na américa e eu lamento pelas vidas
perdidas nas prisões a céu aberto em Gaza

a mesma guerra está sendo travada contra
as pessoas pobres e trabalhadoras e indígenas
em todo o mundo todos os dias e bem agora
na Palestina.

eu lamento a noite de hoje

mas amanhã
eu resistirei
novamente
com aqueles
não do lado do poder
nem do lado do esbranquecer

De-s, israel, é uma criança
em Gaza, na Palestina
acordando
nessa manhã de luto
para fazer você
tremer na base.