O dia do sim

por Luís H. Deutsch

Para alguns, o dia do casamento é algo relativamente fácil de se chegar. Demora algum tempo, exige alguns preparativos e causa um certo stress à noivas e noivos neuróticos e também a pais e mães, padrinhos e madrinhas do casal feliz. Tirando isso, depois do “sim”, é festa, é buffet da hora, é o tiozão caindo de bêbado na pista, a tiazinha dançando até o chão quando toca Naldo… É primo tentando pegar primo. Os pombinhos cortam o bolo, a moça taca o bouquet e vão ambos para a noite de núpcias + lua-de-mel (“putaria” para os menos emotivos).

Para alguns é assim. Para outros, simplesmente não. Casamento é algo que na maioria do nosso mundo – e em pleno século XXI – se restringe à casais representados por homem e mulher. Só isso.

Acontece que nosso planeta mudou pra cacete. E isso não é segredo para ninguém. Só para o Silas Malafia, se pá. Pouco a pouco – e para o bem da humanidade – os países do globo têm começado a rever as coisas. Porém, as grandes potências ainda permanecem bem contraditórias no que diz respeito ao casamento igualitário. E, para pessoas que são rotuladas por Deus e o mundo por apenas amarem e/ou sentirem atração sexual por pessoas pelo mesmo sexo… Fica difícil .

Tá rolando agora na França a discussão sobre o casamento gay. E mais uma vez, a gente não se conforma com pessoas que ainda preferem clamar a opção contra. O pau comendo solto lá na Assembléia dos franceses… E o mundo ficando mais cansado de um conservadorismo burro e retrógrado.

Talvez tenhamos perdido tempo demais discutindo isso, não é? Se o casamento igualitário, liberado para geral fosse uma premissa decidida… Sei lá, junto à concepção do ESTADO NACIONAL… Teríamos chegado longe em quesitos sociais, econômicos, tecnológicos, sustentáveis. Isso é um palpite, claro. Mas faz Sustentar que é o casamento entre pessoas do mesmo sexo que destrói os alicerces da família, do matrimônio e da tradição… É, no melhor francês, demodé. Tá saindo da moda, virando algo de gente bárbara… Sem estudo. Além de hipócrita se pararmos para pensar em algumas coisas cometidas pelos “tradicionais casais heterossexuais” … Traições, violência doméstica, abandono de filhos que nascem sem nenhum planejamento. E aí? Quem tá causando agora?


Opa… Heterofobia? Mas eu sou hétero… Então. EGOFOBIA? Fobia de mim mesmo?!
Ah, CHEGA NÉ?

Se considerássemos desde sempre qualquer forma de amor válida e sem a necessidade dessa meleca toda, teríamos… Sei lá, inventado o teletransporte já. Não teríamos pastores que ficam vários minutos falando merda e inventando sobre genética. Muito menos gente acreditando neles.

Como a história não volta, cabe a nossa geração reparar injustiças cometidas às minorias. Então… Um NÃO às mentes fechadas, para vários “SIM” de inúmeros casais.

O que está rolando no Mali

Era uma vez o Mali. Seu contexto não é muito diferente dos seus vizinhos: é um dos países mais pobres do mundo, com metade da população abaixo da linha da pobreza, e vivendo uma crise política há aproximadamente 53 anos, ou seja, desde que ficou independente da França. Sendo também uma região estratégica no continente africano, é instável desde sempre, maior confusão. Com direito a golpe atrás de golpe e um movimento separatista vigente desde 1960.

Resumindo o que andou acontecendo recentemente, os rebeldes derrubaram o presidente que havia sido eleito democraticamente – conhecido como “soldado da democracia” e que nem partido oficial tinha -, e quiseram reconhecimento de geral. Porém, todos disseram no, no and no, daí os rebeldes ficaram chateados e estão avançando Mali a dentro para conquistar de vez o país inteiro.

Pra começar, os rebeldes não são um grupo homogêneo (assim como nada na África). Essa tal galera islâmica hardcore divide-se entre: o pessoal da Al-Qaeda que, como bem sabido, deseja instaurar um open de leis islâmicas; o MNLA que quer independência da sua região; e umas tribos nômades que vivem na região do Saara, ultrapassando a Argélia, Niger e Líbia – fronteiras que, por deficiência do controle estatal, é rota de tráfico de drogas, armas e pessoas (#RIPJéssica).

Mali voltou para os noticiários desde que os rebeldes fizeram vários estrangeiros reféns num campo de gás na Argélia explorado por petrolíferas britânicas, argelinas e norueguesas. Ignorando o fato de que os rebeldes fizeram intercâmbio na Líbia pró-Kadafi e voltaram para Mali mais fortes e mais equipados do que nunca, a França decidiu “”botar ordem na casa”” e organizou uma intervenção militar surpresa para combater os terroristas, com apoio dos EUA e dos amigues da União Européia. Risos.

A Operação Skyfall Serval visa recuperar as cidades tomadas pelos rebeldes e evitar que Mali vire um novo Afeganistão da vida. Mas não é que as zonas ocupadas pelos rebeles são open de urânio?! Que coincidência, né gente?! Imagina só se eles pudessem controlar pra quem vender material radioativo… vai que vendem pro Irã ou pra Coréia do Norte ao invés das multinacionais! Aposto que muita gente xingaria muito no twitter.

Como se não bastasse as reservas de urânio e o fato da França ser do tamanho de Taubaté comparando com o território malinês, o país é o terceiro maior produtor de ouro na África, tem um monte de reservas naturais, pedras preciosas e ainda shine bright like DIAMONDS.

Mas assim como o Flamengo: uma vez colônia, colônia até morrer. O processo de independência foi artificial, pois não levou em conta se havia preparação política, social e econômica, tampouco infraestrutura suficientes para que o país outrora colonizado pudesse andar com as próprias pernas. Apesar da campanha “France-Afrique” de acabar com o paternalismo francês com as suas ex-colônias (#Marrocos, #Argélia, #Guiana, #Senegal, #CostaDoMarfim, continua…), a tradição intervencionista ainda persiste justificando a força. Não importa quantos anos tenham passado desde 1960: lá, gentileza não gera gentileza. Nesse sistema genocida, guerra gera guerra, sangue gera sangue, e riqueza gera pobreza.