Recalque Social

por Luís H. Deutsch

Nesses últimos dias, as redes elegeram o ativista é a coisa mais chata do mundo. Superou o tédio do Domingo, aquele bonequinho-clips do Word 2000 (sim, as pessoas ainda lembram-se dele), os testemunhas de Jeová e, pasmem… O Galvão Bueno.

Tem gente disseminando o ódio contra esse tipo de gente. “Ativista é chato demais” Só posta as merdas que acontecem no mundo… AFF”. “Meu, ativista é tudo hipócrita. Onde já se viu ser anti-EUA e ter iphone kkkk”. Entre essas e outras frases, a razão para tanta implicância, está o Recalque Social.

Ora… O que é recalque social? Um bando de gente mal amada invejando foto de gente bonita no Instagram? Indiretas para ex em 140 caracteres no Twitter? Compartilhamento de foto-filosofia barata no Facebook? Não. Quer dizer… TAMBÉM.

O Recalque Social é mais profundo. Atinge nossa sociedade e nossa realidade em um âmbito mais psicológico, mais político. Para não dizer mais sério, pois tem gente que vive de espezinhar os outros na Internet. Mas cada um com seu cada qual, né?

Toda vez. TODA VEZ que acontece alguma coisa “boa” nesse mundo aí, a discussão quando migra para o mundo virtual, adquire sempre dois polos. Um francamente a favor e outro 1000% contra. É normal isso, acontece nas melhores mesas de bar.

Porém, na rede a coisa toma proporção maior. Você fica obrigado a participar de todas as conversas de mesa de bar. Mesmo aquelas mais insuportáveis.

Comecemos pelos Beagles. Lindos cachorros. Inteligentes, bonitos, fofinhos. Todo mundo quer ter um. Inclusive os laboratórios de teste de cosméticos / medicamentos. Uma crueldade. Ponto. Na semana passa, um grupo de ativistas heroicamente invadiu uma propriedade privada e salvou a vida dos cães. Por mais que a batalha para a adoção seja difícil agora, não serão mais submetidos a coisas que só Deus sabe – e que eu nem quero desenvolver nesse texto.

Acontece que tem gente que não saber ver felicidade. O recalcad@ social vê isso e logo dispara. “AH! Queria ver é salvar os frangos que comemos todo dia.” “Adotar TODOS os cachorros de rua vira-lata.” “Quero só ver esse povo parar de comer McDonald’s.”

Segundo essa infeliz e reducionista pessoa. Ativistas pró-animais DEVEM ser vegetarianos e ter uma mansão de 200 milhões de metros quadrados.

Voltemos às revoluções do ônibus em Junho. Um aumento nas passagens de busão de todo o Brasil gerou o histórico momento de manifestação que botou muita gente pela primeira vez na rua para tentar mudar alguma coisa. Obviamente isso gerou inconformismo de muitos no começo da luta. “O que essa bando de gente desocupada tá fazendo atrapalhando o trânsito?!” “São tudo playboy na maioria, sabia? Nem pegam ônibus. Papai paga tudo. O pobre mesmo… Ah, esse tá sofrendo calado”. Essas eram as frases dos pensadores digitais no momento. Bom… Deu no que deu após…

Mas essas pessoas não mudam. Segundo as mesmas, os ativistas pelos direitos do transporte mais barato devem ser Pobres com p maiúsculo e morar na Vila Não-sei-o-que-lá que fica 2h ao sul do Terminal Santo Amaro. Vixe.

Viajemos um pouco mais para um último exemplo. Lembram daquele AUÊ na USP em 2011? Então… Lembra que tinha um moleque invadindo a reitoria com casaco da GAP? Então… Apesar de toda a crise democrática que a Universidade vivia no momento (e ainda vive), a mídia e a opinião recalcada socialmente resolveu minimizar toda a discussão nas posses do moleque. De UM moleque. E dane-se o resto.  “É uma revolução de mimadinhos”, diziam.

Para estes, o ativista tinha que respeitar o ponto crucial da luta social: ser completamente desprendido de bens materiais. ” Tem que ser  é ‘bixo-grilo com piolho’! Celular, só se for o mesmo Nokia tijolo de 2006. O resto, deve só se conformar que é um vendido ao sistema como todos. Vamos ser feliz assim e aceitar!”

Por que tanto incômodo?  Tanto Recalque Social?

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Ativistas incomodam porque tocam na ferida ainda aberta por uma sociedade que vê o que quer, mas realmente não enxerga muita coisa além de final de novela e bola no gol. Ativistas levantam-se do sofás em feriados chuvosos para ocupar a Paulista por temas que nem sabemos que realmente são problemas. Porque estamos “ocupados demais”… Saem de casa à noite para salvar cachorrinhos. Invadem navios da Rússia. Ajudam baleias no Japão. Denunciam as espionagens dos EUA no mundo… Coisa que nem metade de uma “timeline padrão” faz.

No mais, os ativistas ousam. Duvidam do senso burro e comum. E daquela velha opinião formada sobre tudo.

Então, amiguinhos. Sem regrinhas de comportamento dos ativistas. Por um mundo com menos recalque social. Perdão pelo clichê, mais por um mundo com mais gente feliz fazendo a sua parte. Valeu?

Territórios ocupados

por Maria Shirts

Ontem fiz um programeta bem “universitário”: sai do trabalho, peguei a linha amarela do metrô (surpreendentemente vazia) às seis da tarde e fui assistir a uma exposição seguida de palestra na FNAC Pinheiros sobre “movimentos sociais e políticos na globalização”, como sugere a descrição do evento Exposição Fotográfica – Atenas, território ocupado no Facebook. Uma filha legítima da PUC, pode dizer. Não precisa nem teste de DNA.

Piadinhas desoxirribonucleicas à parte, deixo a dica para quem se interessa pelo assunto: a exposição de fotos sobre as manifestações atenienses continuará em cartaz na PUC, no Museu da Cultura, a partir do dia 30 de setembro, com fotos emocionantes clicadas com a 7d de Paulo Viard e Marcelo Camera (sim, este é realmente o nome dele!).

Ontem, no encerramento da exposição, na FNAC, assistimos a um documentário da revista VICE (Teenage Riot: Atenas) sobre as manifestações gregas e a situação política local, que ainda é muito frágil, instável. Depois, os professores José Arbex e Reginaldo Nasser, ambos da PUC (Jornalismo e Relações Internacionais, respectivamente), explanaram um pouco sobre o tema que, como todos sabemos, não se restringe a Atenas.

Segundo Arbex, que introduziu sua fala citando Rosa Luxemburgo, a resposta para as manifestações atenienses, paulistas, cairotas, cariocas, londrinas e novaiorquinas está na conjuntura na qual estão inseridas essas sociedades. É importante frisar, aqui, que a análise deve ter (e teve, no caso de ontem) uma ressalva mutatis mutandis. Isto é, as manifestações não são iguais, mas tem algumas semelhanças que podem ser analisadas em conjunto. Tendo isso posto, Arbex afirmou que o sentimento de “basta” presente em diversas cidades não aconteceu por causa de um partido, ou por convocação de um coletivo em particular, mas por uma situação  de insatisfação com o sistema (econômico e até mesmo moral). Além disso, o Estado está, nessa conjuntura, com uma capacidade de repressão diminuta. Não é a toa. Afinal, a polícia está totalmente desmoralizada.

O professor Reginaldo Nasser disse concordar inteiramente com a fala de Arbex, e adicionou um elemento importante à discussão quando usou o conceito de “revoltas urbanas”. Sim, porque as manifestações não podem ser vistas pela ótica do país na sua totalidade, mas das cidades enquanto pólo e abrigo dessas insatisfações. Um analista político e social não mais falará em “revolta grega”, ou “egípcia”, mas ateniense ou cairota. Afinal, as semelhanças entre as cidades ficam cada vez mais evidentes porque elas se tornaram um espaço de reprodução das relações capitalistas. Dividem características comuns como um fluxo de pessoas, de recursos e de ideias. E o Estado, ao mesmo tempo em que demonstra sua competência a partir da força, expõe uma série de debilidades quando não consegue, por exemplo, reprimir “de uma vez por todas” as manifestações. Tivesse o Estado atingido seu objetivo, a população não voltaria às ruas nos dias seguintes.

Por fim, fiquei pensando na conclusão do Reginaldo, que nos disse que as cidades são o palco dessas e d’outras ambiguidades e que, enquanto observadores (sociais, políticos e demais curiosos), devemos nos pautar nessa característica para usá-la enquanto instrumento de análise. Fica a dica. Quem sabe assim conseguiremos entender alguma coisa.

Jornalismo e Ação

por Maria Shirts

Quem assistiu ao Roda Viva na última segunda-feira pôde constatar algo interessante: o “novo jornalismo” parece melhor estruturado do que o jornalismo tradicional. Pra quem não assistiu, explico: foram ao programa da TV Cultura, que é transmitido semanalmente, dois garotos do Mídia NINJA, o Pablo Capilé e o Bruno Torturra. NINJA é uma sigla para Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação e o projeto propõe um outro tipo de cobertura jornalística, que procura “colocar em xeque as narrativas oficiais”.

Eles existem há algum tempo, mas ganharam muita audiência no mês de junho porque filmaram, entrevistaram e reportaram as manifestações latentes do país por streaming, centralizando-as em um canal de exibição ao vivo a fim de demonstrar um maior compromisso com a veracidade dos fatos. Foi assim, por exemplo, que eles conseguiram desmentir acusações falsas da polícia carioca contra um estudante que, segundo a PM, teria jogado um coquetel molotov em um soldado.

Por essas e outras, as pessoas têm se referido aos NINJAs como “novo jornalismo”. Muitos dizem que isso não é propriamente novo, outros já o fizeram. Ok, independente do rigor do termo, acho que os NINJAs merecem o crédito de “inovadores”, como têm recebido, porque conseguiram transmitir informações e imagens sobre o que acontecia pelo país como nenhum outro veículo. Enquanto os grandes jornais preocupavam-se em publicar editoriais pedindo para a polícia “recuperar a Paulista”, eles estavam mais preocupados em noticiar. Não que Folha, Estado e afins não o tenham feito. Muitos de seus repórteres se arriscaram. Tomaram bala, inclusive.

A diferença dos NINJAs, no entanto, é que eles não editam o material que captam, porque não querem “assumir uma posição”. Dessa forma eles têm o poder de constranger a  imprensa marrom, porque esta fica refém dos fatos. Afinal, os NINJAs têm exibido em tempo real o que acontece nas ruas. Assim como eles desmascararam a PM, podem muito bem desmascarar um jornal, se este vier a ser o caso.

Outro ponto interessante da sua forma de reportagem, também, é que eles têm um domínio de tecnologia admirável. Não porque são “ninjas”, mas muito porque a tecnologia ficou mais acessível. Qualquer ativista que tenha um smartphone na mão, segundo o Capilé, pode noticiar um fato, reportar uma história. Talvez seja isso que ameace a classe presente ali na banca do Roda Viva. Quer dizer, eles estão dominando os meios de produção, independendo de um sistema complexo de redação, gráfica, editor, etc. Basta um notebook, um smartphone e uma boa conexão (que, por ser o mais difícil, fez com que eles comprassem um modem 4G e criassem uma rede wi-fi na sua “base” de reportagem, que nada mais é do que um carrinho de supermercado!). Talvez este seja o fator mais “revolucionário” de sua ação. Uma vez dominantes dos meios de produção, passam a ser um concorrente. A vantagem dos NINJAs  é que não precisam de muito dinheiro, porque têm uma estrutura mais simples.

E aí é que entra a questão do financiamento. Desde o Roda Viva tenho conversado com muitos amigos que não “engolem” os NINJAs por causa do seu tipo de financiamento que, ao que tudo indica, vem da casa Fora do Eixo. Todas as pessoas com quem conversei me disseram ser uma questão muito obscura e um tanto preocupante, porque o Fora do Eixo [sempre] ganharia todos os editais públicos monstruosos por causa de suas relações com o governo.

E eu não acho que isso seja mentira. Mas, ao mesmo tempo, eu não acho que isso deva ser uma condicionante para descreditar o trabalho dos NINJAs, que têm proposto um rompimento com os paradigmas atuais de comunicação muito interessante. Mesmo porque, no que tange o financiamento, me parece que eles têm procurado outras formas para ganhar dinheiro, como assinaturas on-line e webfunding de borderô.

Ainda não sabemos para onde eles estão caminhando. Mas eu espero que, num futuro próximo, eles continuem representando uma espécie de mídia ativista alternativa, que procure, genuinamente, relatar os fatos, sem compromisso com nenhum partido nem ninguém. A ver.

Vem, vamos pra onde?

Por Maíra Souza

Há um grande problema em generalizações, e muita confusão/contradição nas definições de vandalismo, violência, esquerda, direita.

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que acredito que SIM: o vandalismo está no SUS, na qualidade das escolas públicas, na redução do salário dos professores e nas desintegrações de posse. Acredito que os verdadeiros vândalos estão vestidos de terno e gravata, desviando o dinheiro público e vandalizando o maior patrimônio da população. Sim, concordo que o vandalismo contra pessoas deveria chocar mais do que aquele contra o objeto inanimado e irrelevante para a grande maioria da população no dia-a-dia – é que nem jogar lixo no chão, e em dias de manifestação reclamar que a rua está imunda.

Ainda nesse sentido, penso que o vandalismo está nas balas de borracha e nos cacetetes, que além de agredir (ou proteger kkk) manifestantes e jornalistas, atingem diariamente a população pobre e negra da periferia. Da mesma forma, o vandalismo está nas grandes mídias parciais, quando estas evitam mostrar os dois lados da moeda para formar a opinião pública. Enfim, vandalizada é a cidadania do brasileiro, tão historicamente desacostumada com mobilizações populares e em acreditar que a mudança de e para si é algo possível.

Defendo a necessidade de uma certa “subversão à ordem” para que determinado movimento ganhe visibilidade, assim como ela se faz necessária para se defender dos inúmeros atos de covardia da Policia Militar, afinal, cada um se defende como pode. “Call me coxinha” ou algo que o valha, mas nessa altura do campeonato e numa cidade como São Paulo, por exemplo, caminhar nas maiores avenidas da cidade de forma pacífica atrai mais gente, inclusive aqueles que são a favor da causa e não vão por medo de apanhar, ser preso ou ficar cego. Isso PARA a cidade do mesmo jeito que se a manifestação fosse pautada na depredação proposital, ou mesmo se chovesse numa sexta-feira com 3 acidentes na Marginal Pinheiros. Há formas e formas de tumultuar, e gente demais sempre incomoda, incomoda, incomoda, incomoda muito mais.

Concordo que não podemos esquecer da ENORME parcela do povo que ainda não é vista, que ainda sofre com a truculência policiar e suas armas não letais desde o cordão umbilical. Porém, não concordo com a generalização de que a voz da periferia se reflete necessariamente na forma de depredação, numa espécie de alívio ou vingança da opressão vivida. Generalizar nesse sentido seria o mesmo que falar que todos os pertencentes à classe média são contra o Bolsa Família, por exemplo. A violência, por si só – seja como uma forma de vingança, apatia ou desprezo não vai fazer com que a ordem econômica vigente mude, independentemente de quantas prefeituras sejam apedrejadas. Infelizmente.

Agora vai, vamos lá, descruze os braços no ombrinho, joga eles pra frente e pense bem devagarinho.

O povo brasileiro – e, por povo, não estou me referindo a nenhuma classe social especifica – é sempre insatisfeito e sempre muito incrédulo. Além de não haver uma identidade nacional definida, há relutância em acreditar no poder que a população tem fora das urnas, e na possibilidade de uma mudança efetiva sem ordens vindas de cima.  As filosofias do “deixar pra lá cansa menos” e do “não vai adiantar nada mesmo” são inerentes à grande maioria, e isso não é novidade para ninguém. Muita gente prefere culpar a Dilma, pois culpar o presidente ou o partido sempre foi o caminho mais fácil ao invés de enxergar que o problema do Brasil vai muito além dos tapas e beijos entre PT versus PSDB. O buraco é e sempre foi MUITO mais embaixo, e no fundo dele tem MUITA grana envolvida.

Bom, todos já sabem que a mudança de postura da mídia fez com que muita gente mudasse a opinião e a postura do “keep calm e assina no Avaaz” para, quem dia… fazer check-in nas vias públicas.

Os 5 mil se transformaram em 100 mil em menos de uma semana, e tal multiplicação tornou evidente a existência da heterogeneidade de opiniões, visões e posições políticas no meio da multidão, com direito a vários adendos aos 20 centavos. Será o medo de não haver outra oportunidade do mesmo porte?

Fato é que o pêndulo que vai dos coxinhas extremes e aos mais intelectuais dividiram o mesmo espaço, e, do alto, éramos todos farinha da mesma massa. Rolou um mix de pautas e, consequentemente, um incômodo daqueles que “viram primeiro” e dos “partido nenhum me representa, foda-se”.

Isso não deve enfraquecer o momento histórico que estamos vivendo, afinal não é todo dia em que há uma mobilização emocionante fora dos contextos do futebol, da novela, ou do open bar em fevereiro. Sei que ouvir o hino nacional numa passeata remete à ditadura militar e a comportamentos que ameaçam de diversas maneiras, e não nego que haja uma desorientação na euforia nacionalista que beira o ufanismo. Porém não julgo expressões como “o gigante/povo/Brasil acordou” de forma tão pejorativa, generalizando a ignorância e a preguiça de todos– e, muito menos, ignorando os movimentos sociais já existentes há anos e desapercebidos pela, novamente, maioria. Eu vejo como uma expressão de que a massa está finalmente se importando. Agora, se a massa em questão é de coxinha, risoles ou de kibe, ainda é uma vitória e tanto.

Prefiro acreditar que o que estamos vivendo não será uma história de amor de praia que não sobe a serra. Talvez agora que o debate político tem sido mais difundido, principalmente entre pessoas que não estavam acostumados a fazê-lo, seja mais recorrente, instrua e informe. Assim como a opinião pública é capaz de mudar em 01 semana, acredito que a conscientização coletiva é algo possível, seja por meio da educação, da mídia alternativa, dos debates, ou mesmo naqueles 5 minutos antes de dormir. Acredito que o significado de “vandalismo” e o sentido da palavra “violência” sejam repensados por muita gente, bem como uma desconstrução de argumentos elitistas e de preconceitos de classe. Acredito que possa haver um diálogo com empatia e tolerância na elaboração da ideia do que é tornar, de fato, um país melhor.

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Cartão de milhagens

por Luís H. Deutsch

Enquanto explode a raiva-  ainda que humilde – nas capitais de nosso país, cresce a rixa e a briga entra grupos que deveriam estar unidos por um bem comum: justiça e respeito aos nossos direitos.

Após a onda de aumento nas passagens do transporte público em várias cidades brasileiras, alguns grupos, minimamente representados, levantaram vozes, mãos e reivindicações contra o poder público, que insiste em cobrar mais do cidadão pelos mesmos e precários serviços de sempre. Em alguns lugares as exigências do povo começam a surtir efeito, em outros apenas as bombas policiais surtem efeito sobre quem reclama.

Só não é de conhecimento de quem está em coma há 100 anos que usar transporte público é um martírio. Não recompensa, é estressante e talvez cancerígeno. Em metrópoles como São Paulo, é desesperador. Imaginem só se o Bilhete Único desse vantagens ao trabalhador como acumulo de milhagens, por exemplo.

Pausa dramática para imaginar o QUANTO poderíamos viajar de graça com ele. Há relatos extremos, porém comuns, de gente que passa seis horas diárias enfiado numa lata velha ambulante. Lotada, suja, desrespeitosa. Seis horas. Daria para dar a volta ao mundo. Seis vezes.

E seria legal mesmo dar a volta ao mundo e, por exemplo, ir parar numa Turquia da vida ou em qualquer outro país árabe – que nós é passado pelas mentes conservadoras como locais atrasados e fundamentalistas. Bom… Lá tem povo na rua. Bandeiras em riste e jovens cooperando para um bem comum – ainda que utópico.

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#Inveja

Um (não)serviço como o do transporte público nacional é a piada mor desse post. Ser cobrado por isso já é um ultraje, ver o preço aumentar então, devia gerar bem mais repúdio. Porém, as regras do manifestante politicamente correto não permitem parar o trânsito da Paulista, nem pichar, nem gritar, nem se defender da polícia mais violenta do Brasil. Viram vândalos, vagabundos, sem-o-que-fazer, comunistas…

Para  muitos, infelizmente, a revolta fica só no Facebook e na foto da passeata com filtro sépia no Instagram. Xinga-se a má educação do brasileiro, enquanto esquece-se de que em outras várias cidades desenvolvidas mundo a fora, há mais opções para quem quiser IR e VIR. Para muitos, não passar de fase do Candy Crush é mais revoltante e merece mais manifestações.

Quem sabe o dia em que o governo deixar nossos cartões de transporte acumular pontos essas pessoas também possam viajar e conhecer Paris, Londres, NYC, Tokio ou qualquer outro local com direitos garantidos aos que moram lá. Pena que eles não vão se preocupar em saber COMO esses direitos foram garantidos.

“À força?! Magina… Isso aqui é TÃO civilizado. #chupaBrasil”

Enfim: fiquem com uma leitura melhor: http://www.advivo.com.br/node/1400276