Tecnicamente na merda

por Luís H. Deutsch

Os números são impressionantes. Cerca de 800 MIL funcionários públicos do governo dos EUA estão temporariamente sem emprego após votação do Congresso não aprovar a atualização de orçamento.

Essa é a paralisação do governo! Era uma vez governo, com trocentos mil cargos públicos. Pagava direitinho seus funcionários até que o insano conflito entre democratas e republicanos fez com que uma enorme massa de pessoas ficasse ao Deus dará.

Já não é nova essa guerra interna trava em território político norte-americano. As coisas ficaram mais evidentes quando o brotherzíssimo Obama tomou o poder. Primeiro presidente negro, com nome árabe, origens africanas, “tendências comunistas”. Isso tudo chamou a atenção da ala conservadora. Mas, foi o Obamacare, seu passo mais ousado em quase 5 anos de governo, que extremou mais a rixa.

Um país em crise tem direito de continuar a prover bem estar social aos seus cidadãos?

Essa é a questão chave que o debate na terra do Tio Sam aborda. Democratas sustentam que SIM. Os direitos e benefícios devem continuar ao passo que os EUA se recuperam da crise. Republicanos negam e sustentam que a “América”, ainda mais em crise, não pode mais gastar dinheiro, “distribuindo-o” para aqueles que infelizmente não deram certo na vida.

Como em todo país democrático, uma atualização de gastos e uma autorização para se gastar mais nos EUA tinha de ser aprovada pelos parlamentares. Acontece que dessa vez não foi. E assim, serviços considerados “de menor importância” tiveram seu staff e suas verbas reduzidos. Agora, tem gente que encontra-se na agradável situação do DESEMPREGO TÉCNICO.

Em outras palavras: Ou você vem trampar de graça, ou você pode se considerar no olho da rua. Em outras palavras: A vida de 800 mil pessoas foi colocada em um jogo de soma zero. Os dois lados não encontram um meio termo. Duas forças se anulam. E os quase 1 milhão de trabalhadores? Se f, né?

Image

Estátua da Liberdade em NY, parques nacionais, outros monumentos históricos, bem como serviços de informação e de vistos ficam fechados durante o “Governement Shut-down”. Até o turista se dá mal nessa. #bad

O Congresso ainda deve votar novamente essa atualização. Espera-se consideração dessa votação. Apesar que… Tratando-se dos States fica difícil, viu? Vejam bem que, por ser considerado de importância VITAL para o país, os gastos militares não foram cortados. Guerras do Afeganistão e Iraque continuam sendo financiadas com orçamentos gigantescos. Pagos pelos cidadãos da “maior democracia do mundo”. Inclusive pelos amigos tecnicamente na merda.

Dia 17 de outubro, tem mais tensão por aí visto que o Congresso vai votar a elevação do teto da dívida. Ou seja, data em que saberemos o quanto os EUA ainda dispõem de crédito na praça. Se não for aumentado esse limite… OS EUA FICAM SEM DINHEIRO. Tipo… O nome deles vai pro SPC/SERASA. Não vai dar pra eles comprarem em PRESTAÇÃO. Dá pra acreditar? É… O mundo volta.

A coisa tá ficando russa. Ou melhor: ESTADUNIDENSE. Por que se eu já não gostava de me refeir aos USA como americanos quando eles eram rycos… Imagina agora? Eu hein?!

Anúncios

Obama, uma vitória

Por Maria Shirts

“Maria, acorda! O Obama venceu!”. Assim foi meu despertar (às 5h30 da manhã!!!!!) nesse 7 de novembro ensolarado, tamanho era o entusiasmo lá de casa. Minha família, em parte americana, é inteira pró-democrata, pró-Obama, pró-aborto, pró-casamento-gay e pró-liberdade em geral. Por isso, a notícia da vitória de Barack Obama, ontem (re)eleito presidente dos Estados Unidos, aliviou a todos lá em casa. Inclusive a mim.

Apesar de ter família americana e me preocupar com o bem-estar dos meus yankees, o que mais me chamou atenção (talvez por eu ser estudante de RI?), nessa corrida presidencial, foi o projeto de política externa de cada um dos candidatos. Ora, claro que isso afeta os meus relatives. No entanto, eu estava mais preocupada era com outro contexto – hm, por assim dizer, internacional -, que não diz respeito somente a eles.

Trabalho no Observatório Político dos Estados Unidos e por isso pude acompanhar, semanalmente, as propostas, declarações e gafes de cada candidato, durante suas campanhas. E, convenhamos, não precisa ser um super pesquisador pra entender que, se o candidato republicano Mitt Romney ganhasse essa eleição, as relações EUA – resto do mundo ficariam, no mínimo, menos estáveis.

Quer dizer, como acreditar em estabilidade quando o candidato à presidência dos Estados Unidos acha que o “inimigo geoestratégico número 1” da grandiosa América é a Rússia? (pausa para o silêncio constrangedor). Alô, assessoria da campanha republicana, ninguém contou pro Mitt que nós já estamos no século XXI? Como acreditar em estabilidade quando esse mesmo candidato declara que, no primeiro dia de Casa Branca, declararia a China um “manipulador cambial”? Como acreditar em estabilidade quando o candidato, na primeira viagem de sua campanha, critica a organização das Olimpíadas para o  seu anfitrião (joselito sem noção), aventura-se a apoiar a construção de um escudo anti-mísseis na Polônia e, o que na minha opinião é o pior de tudo, estimula um ataque de Israel ao Irã?

É claro que muitas dessas afirmativas são jogadas políticas, tentativa de ganho de voto, agrado ao próprio partido e o escambau. Mesmo assim, tenho receio do que um candidato com esse discurso poderia fazer para o mundo e mesmo para os Estados Unidos. Isso porque eu nem entrei no mérito do seu conservadorismo quanto ao casamento gay, ao aborto, às minorias e etc.

Por essas e outras, parafraseio o prefeito (independente) de Nova Iorque, Michael Bloomberg, quando digo que prefiro um presidente que reconhece os direitos das mulheres; que defende a “marcha pela liberdade”; que apóia o casamento entre pessoas do mesmo sexo; que entende as mudanças climáticas como algo real, que deve ser reparado.

Boa sorte, Barack Obama!

(para finalizar com uma pitada de bom-humor, deixo aqui um link para um vídeo do Chris Rock: a message for white voters)