As famosas 1000 palavras

por Luís Henrique Deutsch  (e por milhões de filhos da Pátria Mãe Gentil que tiraram essas fotos e participaram da maior  Manifestação Popular desde o “Fora Collor”)

Meu post hoje economiza no texto. Acho que a velha máxima do que quanto uma imagem vale em palavras pode se expressar vendo as que estão abaixo.  PRE-PA-RA que é palavra de monte, então. Obrigado, brasileiros. Deu orgulho e foi bonito

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” O povo unido, é gente pra caralho”

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“Vem pra rua, vem contra o aumento”

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Hoje tem mais, pessoal. Com partido, sem partido, com bandeira, sem bandeira. De branco, de preto, de vermelho, de rosa.

A rua é nossa.

Vizinhança exótica

Vizinhos, em geral, têm um comportamento atípico. Digo isso porque, essa semana, aconteceu algo pra lá de esquisito na minha rua. Uma mulher amanheceu morta numa das garagens dessa tranquila ruelinha aqui do Jardim das Bandeiras. Era namorada de um dos moradores. Ainda não solucionaram o caso mas, ao que tudo indica, a mulher caiu da janela. Se por vontade própria, ou não, acredito que nunca teremos como saber.

Mas não se preocupe, que não farei dessas mal traçadas uma cópia barata do roteiro de Desperate Housewives. Só chamei atenção para o fato porque eu acho o cotidiano alheio muito curioso. Ou assustador. Nós compartilhamos uma rua, um guarda, muitos bons-dias e noites, o mesmo fio da Eletropaulo e aquele mesmo buraco que a prefeitura promete, mas nunca vem consertar. E, no entanto, nunca sabemos exatamente qual é a daquele cara que mora na casa da frente. Não sabemos nem mesmo como é a casa do cara da frente.

Mas escutar, todo mundo se escuta. E esses barulhos e conversas é que transformam um paulistano classe média palmeirense, ou coisa que o valha, interessante. Ou muito chato.

Acho que a pior situação é a cachorrada. Veja bem, eu adoro cachorros. Mas aqui na rua, eles não deixam ninguém dormir. Quando tem jogo, então, esquece. Assustados pelos fogos e rojões, eles latem latem latem latem até altas horas da noite.

Mas tem muitos vizinhos com suas vantagens. Quem é meu amigo no Facebook sabe, por exemplo, que eu tenho um vizinho saxofonista. Ele ensaia durante algumas manhãs e gosta de uma bossa nova. E, o melhor de tudo, é que ele é bom. Quando toca, deixa o astral da minha casa mais leve. E eu nem sei quem é o sujeito.

Não posso dizer o mesmo, infelizmente, da minha vizinha de parede. Ela deve ser uma boa pessoa, é simpática, e tudo. Mas sua casa ficou reformando por um ano antes dela mudar. Quando a zona finalmente acabou, ela trouxe na mudança um papagaio que fica falando coisas ora obscenas, ora esquisitas e ora incompreensíveis. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que, na verdade, aquela falação não vinha de um papagaio, mas sim da vovó da casa. Parece que a senhorinha já está um pouco senil e por isso fica falando bobagens o dia todo. Tenho que me acostumar, fazer o que.

E as histórias continuam. Todo mundo tem um vizinho barraqueiro, maconheiro, apático, simpático. Quando se mora em prédio deve-se ter ainda mais estereótipos. Mas, não me levem a mal. Eu gosto dos meus vizinhos e sou apenas mais uma curiosa que fica escutando suas maluquices.

Só espero que meus próximos colegas de rua não tenham, de fato, um papagaio. Ou uma vovó maluca.